Artigos | Postado no dia: 24 novembro, 2025

ASSÉDIO MORAL E SEXUAL: COMO IDENTIFICAR E AGIR COM SEGURANÇA

O ambiente de trabalho deve ser um espaço de respeito, segurança e dignidade.

Mas, infelizmente, muitos trabalhadores ainda sofrem humilhações, ameaças ou constrangimentos por parte de chefes, colegas ou superiores.

Essas situações podem caracterizar assédio moral ou sexual, e é importante saber como reconhecer e reagir.

 

O que é assédio moral?

O assédio moral acontece quando o trabalhador é exposto repetidamente a situações constrangedoras, humilhantes ou abusivas no ambiente de trabalho.

Pode vir de um chefe, de um colega ou até de um grupo de pessoas.

🔹 Exemplos práticos:

  • Um gerente que grita, xinga ou humilha publicamente um funcionário;
  • Colegas que isolam ou zombam de outro trabalhador de forma constante;
  • Chefia que sobrecarrega um empregado de propósito para forçá-lo a pedir demissão.

➡️ Consequências: o assédio moral causa estresse, ansiedade, depressão e pode gerar direito à indenização por danos morais e rescisão indireta do contrato.

 

O que é assédio sexual?

O assédio sexual ocorre quando alguém se aproveita de uma posição de poder ou confiança para fazer investidas, insinuações ou chantagens de cunho sexual.

Não é preciso haver contato físico para que o ato seja caracterizado — o constrangimento já basta.

🔹 Exemplos práticos:

  • O chefe que faz piadas ou comentários sobre o corpo de uma funcionária;
  • Promessas de promoção ou aumento em troca de favores sexuais;
  • Toques indesejados, mensagens de cunho íntimo ou convites insistentes.

➡️ Consequências: o assédio sexual é crime, previsto no artigo 216-A do Código Penal, com pena de 1 a 2 anos de prisão, além de indenização na esfera trabalhista.

 

Como agir se você for vítima de assédio

  1. Registre tudo: anote datas, horários e locais das ocorrências. Guarde mensagens, e-mails e áudios.
  2. Procure testemunhas: colegas que presenciaram os fatos podem ajudar a confirmar a situação.
  3. Comunique formalmente: registre o caso no RH, na CIPA (se houver) ou diretamente no sindicato.
  4. Busque apoio jurídico: um advogado trabalhista pode orientar sobre como provar o assédio e acionar a Justiça com segurança.
  5. Procure ajuda emocional: o assédio afeta a saúde mental — psicólogos e grupos de apoio podem auxiliar nesse processo.

Exemplo prático realista

Juliana, auxiliar administrativa, recebia comentários constrangedores sobre sua aparência. Quando passou a recusar convites insistentes do supervisor, ele começou a humilhá-la publicamente e a tirar funções dela.

➡️ Ela reuniu prints de mensagens e testemunhos de colegas, e entrou com uma ação trabalhista.

O juiz reconheceu o assédio moral e sexual, condenou a empresa a pagar indenização e verbas rescisórias por rescisão indireta.

Como diferenciar brincadeira de assédio

Nem toda brincadeira é assédio — mas, se ela constrange, humilha ou fere a dignidade, passa dos limites.

A principal diferença está no efeito que causa e na repetição: o assédio é constante, intencional e causa sofrimento.

 

Conclusão

O trabalhador tem direito a respeito e segurança emocional no ambiente de trabalho.

Assédio não é “mimimi” nem “brincadeira” — é uma forma de violência.

Identificar e agir corretamente é o primeiro passo para quebrar o silêncio e garantir seus direitos.